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Gazetaweb Por Darlan Alvarenga | G1

Em relação ao 1º trimestre, queda foi de 93%. Apesar do recuo, trata-se do terceiro trimestre seguido de ganhos. Petrobras decidiu abrir o capital da BR Distribuidora, líder de distribuição de combustível no Brasil

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 316 milhões no 2º trimestre, informou a estatal nesta quinta-feira (10). O resultado representa uma queda de 14,6% em relação ao 2º trimestre de 2016 e um recuo de 93% na comparação com o 1º trimestre.

Trata-se do terceiro trimestre seguido de ganhos. No 1º trimestre, a petroleira tinha registrado lucro de 4,45 bilhões. Em 2016, a Petrobras acumulou prejuízo de R$ 14,8 bilhões, no 3º ano seguido de perdas.

Segundo a estatal, o resultado refletiu “as menores margens de derivados, a diminuição do volume vendido e redução das despesas operacionais”.

A receita da companhia somou R$ 66,9 bilhões no 2 trimestre, queda de 6%, ante a receita de R$ 71,320 bilhões do mesmo intervalo do ano passado.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado somou R$ 19,094 bilhões entre abril e junho, ante R$ 20,450 bilhões no mesmo período do ano passado.

No acumulado no semestre, a Petrobras registrou lucro de R$ 4,7 bilhões, ante um prejuízo de R$ 876 milhões no mesmo período do ano passado. Já a receita caiu 4%, para R$ 135,36 bilhões.

O presidente da empresa, Pedro Parente, disse que o resultado foi positivo e que o segundo trimestre foi afetado por “motivos extraordinários”.

“Tivemos um resultado bastante expressivo no primeiro semestre. Nosso lucro operacional aumentou 5% e por motivos extraordinários tivemos lucro líquido menor no trimestre, mas pela segunda vez tivemos lucro líquido no semestre, o que não acontecia há muito tempo”, afirmou.

Fatores de pressão

Entre os principais fatores que impactaram o resultado no 2º trimestre, a Petrobras destacou:

Retração de 7% nas vendas de derivados no mercado interno e menores gastos com importações
Gastos de R$ 6,234 bilhões com adesão aos programas de regularização tributária (PRT e PERT)
Maiores gastos com participações governamentais devido ao aumento da cotação internacional do petróleo
Provisão de R$ 818 milhões para perdas com recebíveis referentes ao navio-sonda Vitória 10.000
Já entre os destaques positivos, a Petrobras citou o aumento de R$ 9,5 bilhões na receita com exportações devido aos maiores volumes e preços de petróleo, o recebimento de R$ 6,97 bilhões com a venda da participação na Nova Transportadora do Sudeste (NTS) e a redução de 68% nos custos exploratórios e de 16% nas despesas de vendas, gerais e administrativas.

Endividamento cai

No final de junho, a dívida líquida da Petrobras somou R$ 295,3 bilhões, ante R$ 300,9 bilhões no final de março e R$ 314 bilhões no final de 2016.

Em dólares, o endividamento caiu 7% na comparação com dezembro, para US$ 89,26 bilhões no encerramento do 2º trimestre. “Além disso, a gestão da dívida possibilitou o aumento do prazo médio do endividamento de 7,46 anos, em 31.12.2016, para 7,88 anos, em 30.06.2017”, destacou a companhia.

Corte de pessoal

A Petrobras informou que terminou junho com um efetivo de pessoal de 63.152 empregados, o que corresponde a uma redução de 18% em comparação a um ano antes, “em função do plano de incentivo ao desligamento voluntário”.

Produção em alta

A produção de petróleo da Petrobras no Brasil cresceu 5,6% no primeiro semestre ante o mesmo período do ano anterior, para 2,171 milhões de barris por dia (bpd), acima da meta prevista para o ano de 2017, de 2,07 milhões de bpd. O volume de petróleo produzido pela empresa nos primeiros 6 meses deste ano foi ainda 1,2% acima da média de extração registrada em todo o ano passado.

Já a produção total da Petrobras, que também engloba gás natural, no Brasil e exterior, cresceu 2,9% na primeira metade do ano em comparação ao mesmo período do ano passado, para 2,791 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), também acima da meta prevista para todo o ano, de 2,62 milhões de boe/d.

Já a produção de derivados no Brasil apresentou queda de 7% no semestre, com as vendas no mercado doméstico também recuando 7%.

Reestruturação e venda de ativos

Após a crise detonada pela Lava Jato e pela queda dos preços internacionais do petróleo, o endividamento líquido da Petrobras passou de um patamar de R$ 100 bilhões no final de 2011 e chegou a R$ 392 bilhões no final de 2015.

Para melhorar suas finanças, a estatal cortou investimentos e iniciou um programa de venda de ativos. O plano de negócios da Petrobras prevê arrecadar mais US$ 21 bilhões com a venda de ativos (os chamados desinvestimentos) e parcerias entre 2017 e 2018.

A petroleira avalia a possibilidade de realizar ainda neste ano a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da sua subsidiária BR Distribuidora, líder de distribuição de combustível no Brasil, com cerca de 8 mil postos em todo o país. Há cerca de dois anos, o UBS avaliou a unidade de combustíveis da empresa em cerca de US$ 10 bilhões.

Nova política de preços

A Petrobras adotou uma nova política de preços para a venda de combustíveis e gás de cozinha. Desde julho, a estatal passou a fazer ajustes quase que diários na gasolina e no diesel em uma nova estratégia mais agressiva para reconquistar participação no mercado doméstico.

Em abril, as importações de concorrentes da Petrobras chegaram a tocar os 419 milhões de litros, segundo a petroleira, o que em anos passados seria praticamente impossível, já que a empresa – que tem quase 100% da capacidade de refino do Brasil – mantinha os preços abaixo da paridade internacional.

Pela nova política da companhia, o preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) passaram a ser revisados também todos os meses.

Ações e valor de mercado

As ações da Petrobras fecharam em queda de mais de 2% nesta quinta-feira. No ano, os papéis acumulam queda de cerca de 12%, após terem acumulado ganhos de 121% no ano passado. Em valor de mercado, a petroleira está avaliada em cerca de R$ 179 bilhões, ainda bem abaixo da máxima histórica foi registrada no dia 21 de maio de 2008, quando a estatal atingiu na Bovespa valor de mercado de R$ 510,3 bilhões, segundo a Economatica.

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